26/03/2026 09h59

Março Lilás: estratégias auxiliam na prevenção ao Câncer de Colo do Útero

Durante o mês de março, também é lembrado pelo ‘Março Lilás’, campanha de conscientização voltada à prevenção e combate ao Câncer de Colo do Útero (CCU), a terceira neoplasia mais comum entre mulheres no Brasil. No Espírito Santo, o cenário não é diferente. Nesse contexto, a Secretaria da Saúde (Sesa) destaca a importância da prevenção, que tem na vacinação a crianças e adolescentes uma importante estratégia. Neste dia 26 de março marca o Dia Mundial do Câncer de Colo do Útero.

O Câncer de Colo do Útero é um tumor (multiplicação anormal das células) que se desenvolve na parte inferior do útero, chamada “colo”, que fica no fundo da vagina. Esta doença é causada a partir da infecção pelo vírus HPV (Papiloma Vírus Humano), que é transmitido na relação sexual. A maioria das pessoas tem contato com esse vírus ao longo da vida, mas quase sempre ele é eliminado naturalmente. Se a infecção persistir, após vários anos podem aparecer lesões que, se não tratadas, podem causar câncer.

De acordo com a referência na Saúde da Mulher da Sesa, Christiani Pontara Faé, a vacinação contra a HPV, disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, além de grupos especiais, é uma importante estratégia profilática durante a prevenção primária ao câncer. “A vacinação profilática e a utilização de preservativos durante a relação sexual são considerados os métodos de prevenção primária a esta doença”, explicou.

Além da prevenção primária, há também a prevenção secundária. “Ela conta com a realização de exames de rastreio no colo uterino, que podem ser por meio do exame citopatológico, o chamado Papanicolau, ou do exame de PCR para HPV”, informou a referência.

O Ministério da Saúde preconiza como método de rastreamento o exame citopatológico (Papanicolau), que é disponibilizado a mulheres de 25 a 64 anos que já tiveram atividade sexual. Após a realização de dois exames negativos, realizados em um intervalo anual, o exame será realizado a cada três anos e descontinuado em mulheres acima de 65 anos ou nas que se submeteram ao procedimento de histerectomia (remoção cirúrgica do útero) por doenças benignas.

“O exame Papanicolau é ofertado pelo SUS, por meio das Unidades Básicas de Saúde. Ele é realizado por enfermeiros capacitados no âmbito da Atenção Primária à Saúde, garantindo o acesso da população ao rastreamento do câncer de colo do útero”, destacou Christiani Pontara Faé, reforçou ainda que as mulheres devem realizar os exames de rotina no SUS como forma de prevenir, detectar cedo e tratar o câncer do colo do útero.

Ainda em 2025, o órgão federal atualizou as diretrizes para o rastreamento do CCU, oficializando a incorporação do exame molecular de DNA-HPV ao SUS. A nova estratégia prevê a substituição gradual do exame citopatológico (Papanicolau) pelo teste molecular, além do aumento no intervalo entre coletas para até cinco anos, em casos de resultados negativos para o vírus. No Espírito Santo, esta nova metodologia foi iniciada ainda em 2024, por meio de um projeto desenvolvido entre o Laboratório Central de Saúde Pública do Estado do Espírito Santo (Lacen/ES) e a Superintendência de Saúde da Região Sul.

A referência na Saúde da Mulher da Sesa, Christiani Pontara Faé, fala sobre a temática neste vídeo

 

Método PCR para fortalecer o rastreio: Espírito Santo avança em nova tecnologia

Ainda em 2024, a Secretaria da Saúde (Sesa), por meio da parceria entre o Laboratório Central de Saúde Pública do Estado do Espírito Santo (Lacen/ES) e a Superintendência de Saúde da Região Sul, iniciou a implementação de uma nova tecnologia ao SUS capixaba com o “Projeto de Implementação da PCR para HPV como parte do rastreio de Câncer de Colo do Útero na Regional Sul Capixaba”.

Recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o teste permite a identificação dos subtipos do vírus, possibilitando maior precisão no acompanhamento e no direcionamento do tratamento das lesões, além de contribuir para a redução da incidência de câncer. O que possibilita um diagnóstico mais preciso, podendo detectar a presença do vírus antes mesmo do seu desenvolvimento.

“O exame de PCR para a detecção do HPV detecta a presença de DNA de alguns tipos de HPV, inclusive aqueles mais frequentemente associados ao Câncer de Colo do Útero. A presença do HPV não significa que vá desenvolver a doença, mas aponta uma melhor estratégia a seguir a partir dali, seguindo um fluxo para cada resultado encontrado”, explicou a bióloga que compõe a Equipe Técnica da Citopatologia do Lacen/ES, Roberta Oliveira.

O projeto, que se encerrou no final de 2025, efetuou dois tipos de rastreio. O rastreio primário realizado em mulheres de 30 a 80 anos sem histórico prévio de lesão cervical; e o rastreio secundário, em mulheres com alteração no resultado do exame citopatológico em 2023 e 2024. No primeiro ano, os exames foram realizados em cinco municípios da região Sul de Saúde (Bom Jesus do Norte, Iconha, Mimoso do Sul, Presidente Kennedy e Vargem Alta). Em 2025, o projeto ampliou para todos os 26 municípios que compõem a região, com a oferta de 15 mil testes.

Neste período, foram analisadas 13.566 pacientes, sendo 12.371 de rastreio primário e 1.195 de rastreio secundário. A positividade global detectada para HPV foi de 27,97% (3.795) e para HPV de Alto Risco de 22,20% da amostra total, estando presentes em 79,37% dos casos positivos. Em 45,53% dos casos positivos foram observados infecção por ao menos dois tipos de HPV.

Segundo a profissional, os resultados mostraram quão importante é essa testagem para o rastreio do CCU. Atualmente, a Sesa encontra-se em pactuação para a implementação da metodologia nas demais regionais.

Dados

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio de 2026-2028, o Câncer de Colo do Útero (CCU) é o terceiro tipo de câncer, excluindo as neoplasias de pele não melanoma, que mais acometerá as mulheres no Brasil, com a estimativa de 19.310 novos casos por ano. No Espírito Santo, o cenário não é diferente. O CCU também representa o terceiro tipo de câncer de maior número, com a estimativa de 380 novos casos por ano, ficando atrás apenas do câncer de Mama e o de Cólon e Reto.

Além disso, no Estado, segundo dados do Painel Oncologia Brasil, foram totalizados 226 novos diagnósticos de Câncer de Colo do Útero em 2025 (dados sujeitos a atualização) e 530 novos diagnósticos em 2024.

Em relação aos óbitos, o Câncer de Colo do Útero é uma das principais causas de óbito em mulheres por neoplasias no Espírito Santo. Em 2026, com dados até a primeira quinzena de março, foram notificados 15 óbitos; em 2025 foram 177 óbitos; e em 2024 o total de 204 óbitos. Os dados referentes aos anos de 2026 e 2025 estão sujeitos a revisão. As informações são do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM).

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