08/05/2026 15h00

Pesquisa inédita avalia adaptação do lúpulo às condições da região serrana do Espírito Santo

O Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) está desenvolvendo um projeto inédito de pesquisa com cultivo de lúpulo — uma das principais matérias-primas das cervejas — no Espírito Santo. Implantado na Fazenda Experimental Mendes da Fonseca, do Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Serrano (CPDI Serrano), em Domingos Martins, o estudo busca avaliar o desempenho agronômico, fitoquímico e fitossanitário de variedades da planta cultivadas em condições de altitude na região serrana capixaba.

Coordenado pela pesquisadora do Incaper Alessandra de Lima Machado, o projeto teve início em outubro de 2025 e representa o primeiro experimento científico conduzido pela instituição com a cultura no Estado. Estão sendo avaliadas, inicialmente, as variedades Cascade, Comet e Chinook, conhecidas pelo uso frequente na produção de cervejas artesanais devido às características de aroma e amargor.

“O principal objetivo do projeto é identificar variedades de lúpulo mais adaptadas às condições de clima e solo do Espírito Santo, além de gerar informações técnicas sobre manejo, produtividade, fitossanidade e qualidade química”, explica.

O lúpulo é uma planta perene estratégica para a cadeia produtiva da cerveja. Suas flores femininas, chamadas cones, concentram glândulas de lupulina — estruturas ricas em compostos bioativos, como alfa e beta-ácidos e óleos essenciais, responsáveis pelo aroma, sabor, amargor e estabilidade da bebida.

Apesar de o Brasil ocupar posição de destaque na produção mundial de cerveja, praticamente todo o lúpulo utilizado pela indústria nacional ainda é importado. Esse cenário tem impulsionado pesquisas voltadas à adaptação da cultura às condições brasileiras, especialmente em regiões de clima tropical e subtropical.

“O cultivo de lúpulo no Brasil ainda é relativamente recente e existem muitos desafios relacionados ao manejo da cultura em condições tropicais, principalmente em relação ao fotoperíodo e à suplementação luminosa. Por isso, é importante desenvolver pesquisas adaptadas à realidade de cada região”, destaca a pesquisadora.

Segundo Alessandra de Lima Machado, o crescimento do mercado de cervejas artesanais e o interesse de produtores rurais motivaram o desenvolvimento do estudo no Espírito Santo.

“O Estado tem um setor cervejeiro bastante dinâmico e é o terceiro em número de cervejarias artesanais por habitante do país. Isso cria uma demanda importante por matérias-primas e abre oportunidades para diversificação da produção agrícola”, afirma.

Alternativa para a agricultura familiar e potencial para o agroturismo

Além do potencial de abastecimento da cadeia cervejeira, o lúpulo também se apresenta como alternativa promissora para a agricultura familiar e para iniciativas ligadas ao agroturismo.

“É uma cultura de alto valor agregado, que pode ser cultivada em pequenas áreas e que, em condições adequadas, pode apresentar mais de uma safra por ano. Isso permite otimizar o uso da propriedade e criar novas possibilidades de geração de renda no meio rural”, observa Alessandra.

O cultivo do lúpulo também chama atenção pela estrutura característica da lavoura. Por ser uma planta trepadeira, a cultura necessita de sistemas de condução com treliças ou caramanchões que podem atingir entre cinco e sete metros de altura, formando corredores verdes semelhantes a vinhedos verticais, um aspecto que também favorece experiências ligadas ao turismo rural.

No experimento conduzido pelo Incaper, é utilizado o sistema de condução em “V”, que favorece a entrada de luz solar e a circulação de ar entre as plantas, contribuindo para maior produtividade e redução da incidência de doenças. A estrutura também organiza o crescimento da cultura e facilita o manejo e a colheita dos cones.

As pesquisas avaliam tanto o desenvolvimento das plantas em campo quanto a qualidade química dos cones produzidos. Entre os aspectos estudados estão produtividade, manejo nutricional, fitossanidade, poda, adaptação das variedades e composição química relacionada à produção cervejeira.

As análises laboratoriais são realizadas em parceria com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Ifes) – Campus Venda Nova do Imigrante. O projeto também conta com apoio da Biohope, da Brazuca Lúpulos e de pesquisadores da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

“A ideia é gerar conhecimento técnico que possa reduzir riscos para os produtores interessados na cultura e contribuir para a construção de uma cadeia produtiva do lúpulo no Espírito Santo”, ressalta a pesquisadora.

A expectativa é que os resultados obtidos futuramente contribuam para fortalecer a produção rural, estimular o turismo de experiência ligado às cervejarias artesanais e impulsionar o desenvolvimento de produtos com identidade regional.

“Existe um potencial muito interessante para integrar produção agrícola, cerveja artesanal e agroturismo. No futuro, isso pode até contribuir para o desenvolvimento de cervejas associadas ao terroir capixaba”, pontua Alessandra de Lima Machado.


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