11/03/2026 14h17

Ex-bolsista da Fapes tem tese reconhecida como a “melhor do mundo” em congresso internacional de Serviço Social

A pesquisadora Aline Elisa Maretto Lang, egressa do Programa de Pós-Graduação em Política Social (PPGPS) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e ex-bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes) por meio do edital Procap, teve sua tese de doutorado intitulada “Não tem altura o silêncio das pedras: a primeira infância no discurso do Unicef" avaliada como a melhor do mundo pelo Comitê de Pesquisa da Associação Internacional de Escolas de Serviço Social, uma das principais organizações acadêmicas da área.

Com o reconhecimento, Aline receberá o PhD-based abstract award durante o congresso mundial da entidade, que será realizado no Quênia, em junho de 2026. A premiação projeta internacionalmente uma pesquisa desenvolvida no Espírito Santo, com apoio do fomento público estadual. A tese analisa criticamente como a primeira infância passou a ocupar centralidade nas agendas internacionais e de que maneira o discurso do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) diferencia as orientações de políticas públicas conforme o nível de desenvolvimento econômico dos países.

A pesquisa mostrou que, especialmente a partir da década de 1990, a infância passou a ser apresentada nos documentos internacionais como uma “janela de oportunidade” para romper ciclos de pobreza e promover desenvolvimento econômico. No entanto, o estudo evidencia que esse discurso assume contornos distintos: enquanto em países considerados desenvolvidos prevalece a perspectiva de direitos, em nações classificadas como em desenvolvimento ganha força uma abordagem voltada à superação da pobreza e à preparação de mão de obra futura.

“Esse prêmio não representa apenas uma conquista individual, mas o reconhecimento da relevância das pesquisas produzidas no Brasil, especialmente aquelas que analisam criticamente as políticas sociais e os discursos que orientam a proteção à primeira infância”, afirma Aline.

Segundo a pesquisadora, compreender essas diferenças é fundamental para a formulação de políticas públicas mais justas e contextualizadas. “Quando a infância é tratada principalmente como um investimento para o futuro, existe o risco de que as políticas se orientem prioritariamente por critérios de eficiência econômica, deixando em segundo plano a garantia de direitos e a proteção social ampla. Não podemos aplicar orientações internacionais de forma automática, sem considerar as realidades sociais, econômicas e regionais”, destaca.

A premiação amplia a visibilidade internacional da produção científica capixaba e abre possibilidades de diálogo com pesquisadores de diferentes países. Para Aline, participar do congresso mundial será uma oportunidade de apresentar os resultados da pesquisa, fortalecer redes acadêmicas e levar o nome do Espírito Santo ao debate global sobre políticas sociais e infância.

Fomento público como base da conquista

A pesquisadora destaca que a bolsa concedida pela Fapes foi determinante para a realização do doutorado e, consequentemente, para o reconhecimento internacional. “A bolsa foi fundamental para que eu pudesse me dedicar integralmente à pesquisa. Como mulher, mãe de duas crianças na primeira infância e pesquisadora, esse apoio garantiu condições mínimas para desenvolver o estudo com qualidade. Foi um suporte decisivo para que a tese chegasse a esse reconhecimento”, afirma.

Ela também ressalta a importância do financiamento público para áreas como o Serviço Social, cuja produção científica é majoritariamente realizada por mulheres. “O financiamento público cria condições reais de permanência e estabilidade para que pesquisadoras possam desenvolver, concluir e divulgar seus estudos. Ele democratiza a produção do conhecimento e garante que análises críticas sobre desigualdade, pobreza e direitos sociais não fiquem restritas a quem tem recursos próprios”, pontua Aline Elisa Maretto Lang.

Pesquisa será publicada em livro

O impacto do trabalho também se reflete na publicação da tese em formato de livro. De acordo com Aline Elisa Maretto Lang, a obra será lançada pela Editora Navegando, em versões digital (acesso aberto) e física, ampliando ainda mais o alcance das reflexões produzidas durante o doutorado.

“Na defesa da tese, quando a banca foi fazer os comentários sobre o trabalho, tive uma primeira grande e gratificante surpresa de que a minha tese tinha qualidade para ser publicada no formato de livro. Recebi com muita alegria, mas ao mesmo tempo com muita surpresa, porque eu não imaginava a grandiosidade do que eu tinha acabado de fazer”, explica.

“A previsão inicial é de que em agosto, durante o Encontro Nacional e Internacional de Política Social (ENPS/ EIPS), que é promovido pelo programa de pós-graduação da qual eu faço parte, o livro seja lançado oficialmente no Espírito Santo", conta a pesquisadora.

Segunda vez consecutiva

Em 2024, em conferência realizada no Panamá, o Programa de Pós-Graduação em Política Social (PPGPS) da Ufes também esteve no topo do prêmio, com o resumo intitulado “Direitos reprodutivos e esterilização feminina no Brasil”, desenvolvido pela pesquisadora Leila Marchezi Tavares Menandro. O ponto em comum do “bicampeonato” das premiações é a coordenadora Maria Lúcia Teixeira Garcia, que enaltece o trabalho realizado pelo PPGPS e o apoio da Fapes.

"É resultado de um trabalho coletivo de docentes, discentes, técnico-administrativos e egressos de ofertar uma formação pós-graduada de excelência, em uma perspectiva internacional, mas comprometida com as questões locais. Os prêmios internacionais ratificam que estamos no caminho certo. Mas esse reconhecimento traz também novos desafios”, afirma a coordenadora.

“O fomento da Fapes é essencial nesse processo de excelência do PPGPS e se exemplificam no caso de Aline. A bolsa da Fapes assegurou a realização dos estudos. A Fapes ainda oportunizou, por meio de outros editais, ações de internacionalização. Assim, a premiação que Aline recebe é do PPGPS e também da Fapes", orgulha-se Maria Lúcia Teixeira Garcia.

Para o diretor Técnico-Científico da Fapes, Celso Saibel, o reconhecimento internacional das ex-bolsistas reforçam o papel estratégico da Fundação. “Trabalhamos para o fortalecimento da pós-graduação, na formação de recursos humanos altamente qualificados e na promoção da internacionalização da ciência produzida no Espírito Santo”, finaliza.

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