16/01/2026 11h48

Incaper desenvolve projeto com plantas bioativas para criação de bioherbicidas sustentáveis

A proposta une ciência, inovação, sustentabilidade e aplicação prática no campo.

Um projeto de pesquisa em desenvolvimento no Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), busca entregar aos produtores rurais uma alternativa sustentável aos herbicidas convencionais: bioherbicidas, produzidos a partir de plantas bioativas, processos fermentativos e tecnologias naturais de extração.

Ainda em fase inicial, o projeto já realiza testes com diferentes espécies vegetais com potencial bioativo. A iniciativa é coordenada pelo pesquisador Ismael Lourenço de Jesus Freitas.

As plantas passam por processos de extração e fermentação com o uso de microrganismos benéficos, com o objetivo de obter substâncias capazes de controlar plantas daninhas sem causar impactos negativos ao meio ambiente, ao solo e à saúde humana.

“Nosso foco é encontrar produtos que sejam eficientes no controle das plantas daninhas, mas que também contribuam para a qualidade do solo e para a sustentabilidade dos sistemas produtivos”, explica Ismael. 

Ao pesquisador Ismael desenvolve o trabalho no CPDI Serrano, em Pedra Azul, Domingos Martins.o pesquisador Ismael desenvolve o trabalho no CPDI Serrano, em Pedra Azul, Domingos Martins. o pesquisador Ismael desenvolve o trabalho no CPDI Serrano, em Pedra Azul, Domingos Martins. pesquisa está organizada em três grandes etapas, que se complementam e permitem diferentes rotas tecnológicas para a obtenção dos bioherbicida.

Na primeira fase, são realizados testes de extração de plantas bioativas. A partir desses extratos, são produzidos os fermentados líquidos, que consistem em soluções obtidas por meio da fermentação líquida controlada de materiais vegetais com microrganismos benéficos. Esse processo permite potencializar compostos naturais com ação biológica, reduzindo a necessidade de produtos químicos sintéticos.

Paralelamente, também será produzido o fermentado sólido, conhecido como Bokashi — um substrato orgânico obtido pela fermentação de resíduos vegetais e minerais, tradicionalmente utilizado como biofertilizante. Essa tecnologia é de origem japonesa, adaptada, na qual os resíduos vegetais serão as plantas bioativas, secas e trituradas, que será avaliada como possível base para formulações com ação bioherbicida, bem como biofertilizante.

Na segunda fase, o projeto avança para a extração de óleos essenciais das plantas bioativas. Nesse momento, os pesquisadores irão identificar quais substâncias são responsáveis pela ação bioherbicida e, posteriormente, realizar o isolamento desses compostos, etapa fundamental para compreender o mecanismo de ação e garantir maior eficiência e segurança no uso dos produtos. 
A terceira etapa envolve a produção do extrato pirolenhoso, um líquido escuro obtido a partir da condensação da fumaça gerada na pirólise da biomassa das plantas bioativas — processo em que a biomassa é aquecida sem presença de oxigênio. “Vamos fazer a secagem das plantas bioativas, inseri-las no forno para queimar e gerar a fumaça. Essa fumaça passa por um processo de condensação e se transforma em um líquido”, explica o pesquisador.

Expectativa
Por meio desse método, a pesquisa pretende permitir a extração de uma ampla gama de princípios ativos com potencial bioherbicida, ampliando as possibilidades de formulação dos produtos.

Benefícios diretos para produtores rurais
Na prática, o projeto pretende entregar aos produtores rurais: um bioherbicida natural, eficiente e de baixo custo e baixo impacto ambiental; Redução da dependência de herbicidas químicos; Melhoria da qualidade do solo e da microbiologia do ambiente agrícola; Maior segurança para o aplicador e para o consumidor; Alternativa viável para sistemas orgânicos e agroecológicos; Possibilidade de produção local dos insumos, reduzindo custos.

Embora ainda esteja em fase inicial, o projeto representa um avanço significativo para a pesquisa em bioinsumos no Espírito Santo. A proposta une ciência, inovação, sustentabilidade e aplicação prática no campo, fortalecendo a transição para modelos produtivos mais equilibrados e ambientalmente responsáveis.

“A expectativa é conseguir entregar aos produtores, principalmente os orgânicos e da agricultura familiar, um bioherbicida que possa auxiliá-los no dia a dia, tornando o manejo das plantas daninhas mais sustentável, econômico e seguro”, reforça Ismael.

*Com informações de Ismael Lourenço de Jesus Freitas.

Informações à Imprensa:
Gerência de Transferência de Tecnologia e Conhecimento (GTTC) do Incaper
Daniel Borges
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daniel.borges@incaper.es.gov.br  

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