Hepatite B

Prevenção

Embora os métodos empregados para prevenção de outras DST também sirvam para a infecção pelo HBV, a vacinação ainda é o método mais eficaz de prevenção desta infecção

Quadro clínico

O período de incubação da Hepatite B aguda situa-se entre 45 e 180 dias. A transmissão, na maioria das vezes, se dá por exposição percutânea (intravenosa, intramuscular, subcutânea ou intradérmica) ou por exposição de mucosas aos fluidos corporais infectados (sangue, saliva, sêmen, secreções vaginais). Na mulher grávida, é importante salientar a possibilidade de ocorrer a transmissão materno-fetal (transmissão vertical). Estima-se que até 90% das crianças contaminadas verticalmente podem tornar-se portadoras crônicas do vírus; nestas a evolução para cirrose e hepatoma é elevada. Nos pacientes sintomáticos, a hepatite B, usualmente evolui nas seguintes fases:

  • fase prodrômica: sintomas inespecíficos de anorexia, náuseas e vômitos, alterações do olfato e paladar, cansaço, mal-estar, artralgia, mialgias, cefaléia e febre baixa.
  • fase ictérica: inicia-se após 5 a 10 dias da fase prodrômica, caracterizando-se pela redução na intensidade dos sintomas e a ocorrência de icterícia. Colúria precede esta fase por 2 ou 3 dias.
  • fase de convalescença: a sintomatologia desaparece gradativamente, geralmente em 2 a 12 semanas.

Dependendo da idade em que acontece a infecção pelo HBV, esta pode evoluir para a forma crônica, o que se demonstra pela presença de marcadores sorológicos, testes de função hepática alterados e biópsias de tecido hepático. A evolução para cirrose e para carcinoma hepatocelular primário não é rara.

Diagnóstico laboratorial

Realiza-se por meio dos marcadores sorológicos do vírus da Hepatite B:

  • o antígeno de superfície da Hepatite B (HBsAg) é o primeiro marcador a aparecer, geralmente precede a hepatite clinicamente evidente, e também está presente no portador crônico; quando presente na mulher grávida, significa grande chance de transmissão vertical;
  • o antígeno "e" do vírus da Hepatite B (HBeAg) é detectado logo após o aparecimento do HBsAg, sua presença indica replicação viral ativa. Sua positividade se verifica entre a 8ª e a 12ª semanas após a infecção;
  • o anticorpo contra o antígeno "c" do vírus da Hepatite B da classe IgM (Anti-HBc IgM) é um marcador da replicação virótica que aparece no início da infecção e pode ser o único marcador sorológico de fase aguda presente em alguns pacientes;
  • o anticorpo contra o antígeno de superfície do vírus da Hepatite B (Anti-HBs) pode aparecer tardiamente na fase de convalescência e sua presença indica imunidade natural.

Outros testes refletem a lesão hepatocelular na hepatite viral aguda:

  • as aminotransferases (alanina, ou ALT, e aspartato, ou AST), previamente denominadas transaminases (respectivamente, TGP e TGO) geralmente encontram-se acima de 500 U/L
  • a bilirrubina total se eleva, podendo alcançar níveis entre 5 e 20 mg %.
  • a fosfatase alcalina geralmente está aumentada.

Na hepatite crônica, a biópsia hepática definirá a lesão histológica e permitirá melhor avaliação da atividade da doença.

Tratamento

De modo genérico, o indivíduo com hepatite viral aguda, independentemente do tipo viral que o acometeu, deve ser acompanhado ambulatorialmente, na rede de assistência médica. Basicamente o tratamento consiste em manter repouso domiciliar relativo, até que a sensação de bem-estar retorne e os níveis das aminotransferases (transaminases) voltem aos valores normais. Em média, este período dura quatro semanas. Não há nenhuma restrição de alimentos no período de doença. É aconselhável abster-se da ingestão de bebidas alcoólicas.

Os pacientes com hepatite causada pelo HBV poderão evoluir para estado crônico e deverão ser acompanhados com pesquisa de marcadores sorológicos (HBsAg e Anti-HBs) por um período mínimo de 6 a 12 meses. Aqueles casos definidos como crônicos, pela complexidade do tratamento, deverão ser encaminhados para serviços de atendimento médico especializados.