Petróleo

Nos últimos anos, o Espírito Santo foi destaque na produção de petróleo e gás natural no Brasil. Com as descobertas realizadas, principalmente pela Petrobras, o Estado saiu da 5ª posição no ranking brasileiro de reservas, em 2002, para se tornar a segunda maior província petrolífera do País, com reservas totais de 2,5 bilhões de barris.
Atualmente, o Estado é o segundo maior produtor de petróleo do Brasil, com 140 mil barris diários. Até o final deste ano, este número deve chegar a 200 mil barris por dia, e em 2010, atingirá a marca de 500 mil barris/dia. Os campos petrolíferos se localizam tanto em terra quanto em mar, em águas rasas, profundas e ultra- profundas, contendo óleo leve e pesado e gás não associado.
Dentre os destaques da produção está o campo de Golfinho, localizado no Norte do Espírito Santo, com reserva de 450 milhões de barris de óleo leve, considerado o mais nobre. O primeiro módulo de produção da área já está em operação, com o FPSO Capixaba, e o segundo deve iniciar a operação até o final deste ano, com o FPSO Cidade de Vitória.
Há ainda os campos de Jubarte, Cachalote, Baleia Franca, Baleia Azul, Baleia Anã, Caxaréu, Mangangá e Pirambu, que fazem parte do denominado Parque das Baleias, no Sul do Estado, que somam uma reserva de 1,5 bilhão de barris. Atualmente, o campo de Jubarte está na sua primeira fase de produção, por meio da plataforma P-34, que foi reformada no Porto de Vitória. A extração é de 60 mil barris diários. Já as outras áreas deverão começar a produzir no início da próxima década, segundo expectativa da Petrobras.
A estatal petrolífera está implantando projetos de desenvolvimento da produção do campo de Fazenda Alegre, no Norte capixaba, que atualmente é responsável por 60% da extração de óleo em terra. Em novembro de 2005, a Petrobras declarou a comercialidade do campo de Inhambu, contendo óleo pesado, no município de Jaguaré.
Outros investimentos no setor acontecem na produção dos campos marítimos de Peroá e Cangóa e na ampliação da rede de gasodutos, com a construção do denominado Gasoduto Sudeste Nordeste (Gasene), que ligará a malha do Sudeste e Nordeste brasileiro, passando pelo Espírito Santo. O projeto — constituído pelos trechos Cabiúnas-Vitória, Vitória-Cacimbas e Cacimbas-Catu — permitirá o escoamento de 20 milhões de metros cúbicos de gás por dia.
O Espírito Santo é hoje responsável por 40% das notificações de petróleo e gás natural, conforme levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP) desde sua criação, em janeiro de 1998.

Royalties

A indústria de petróleo no Espírito Santo possibilita o pagamento de royalties relativos à exploração de petróleo e gás natural aos municípios nos quais estão localizados os campos produtores e as instalações das empresas.
As cidades capixabas são beneficiadas via impostos e pelo recebimento de royalties, que são uma compensação financeira exigida dos concessionários da exploração e produção de petróleo e gás natural. Além delas, os recursos são creditados ao governo do Estado, proprietários de terras, Ministério da Marinha e Ministério da Ciência e Tecnologia.
Os valores devem ser aplicados na viabilização de projetos e de programas destinados a fomentar o desenvolvimento sócio-econômico do Estado, com vistas ao desenvolvimento sustentável, inclusive após o ciclo do petróleo.
Para beneficiar os 68 municípios capixabas que não recebem royalties petrolíferos, o Governo do Estado criou o Fundo para Redução das Desigualdades Regionais, o primeiro projeto desta natureza aprovado no País. Os recursos são provenientes do repasse de 30% dos royalties creditados no cofre público estadual.
Em vigor desde junho de 2006, a distribuição do dinheiro do fundo leva em consideração a população, o percentual de repasses do ICMS e a condição de não ser grande recebedor de royalties. Os municípios que têm participação acima de 10% no ICMS e mais de 2% dos royalties não têm acesso aos recursos do Fundo.
De julho a dezembro de 2006, o Governo do Estado repassou R$ 11,5 milhões aos municípios beneficiados. Vale destacar que os recursos só podem ser gastos em saneamento básico, destinação final de resíduos sólidos, universalização do ensino fundamental e atendimento à educação infantil, atendimento à saúde, construção de habitação para população de baixa renda, drenagem e pavimentação da vias urbanas e construção de centros integrados de assistência social.

Linha do Tempo das Atividades Petrolferas no ES

1957 São realizadas as primeiras ações da Petrobras em terras capixabas, com a chegada da primeira equipe gravimétrica.
1959 Inicia-se a perfuração do primeiro poço em Conceição da Barra.
1961 Técnicos da Petrobras chegam à conclusão de que existe a oportunidade de descoberta de petróleo na região norte do Espírito Santo.
1967 Primeira ocorrência de petróleo no Estado, no município de São Mateus.
1968 O primeiro poço perfurado na plataforma continental do Brasil foi na costa do município de São Mateus. Não foi encontrado petróleo, mas os trabalhos serviram de base para estudos futuros.
1969 É descoberto o primeiro campo que apresenta produção comercial, no município de São Mateus.
1971 Perfuração do poço terrestre mais profundo, com 4.072 metros.
1978 É descoberto petróleo no mar em condições comerciais no campo de Cação. 1982 Descoberta do campo de Lagoa Parda e incremento do número de poços no Campo de São Mateus.
1984 O Espírito Santo produz 24.984 barris de óleo por dia, um recorde que perdurou até o ano de 2001.
1988 Descoberta do campo marítimo de Cangoá, o primeiro do mar capixaba com reserva comercial.
1996 É descoberto o campo de Fazenda Alegre, que apresenta o maior volume de óleo em terra do Estado.
1997 Descoberta do campo marítimo de Peroá, considerado de grande importância por possuir a maior reserva de gás natural do Estado.
1999 Enquanto no mar comemora-se a perfuração do primeiro poço em águas profundas, a produção em terra entra em processo de revitalização.
2001 É descoberto o campo marítimo de Jubarte, no sul do Estado. Transferência da sede administrativa para a capital Vitória.
2002 Início da produção em águas profundas no campo de Jubarte e descoberta do Campo de Cachalote.
2003 Descoberta dos campos marítimos de Baleia Franca, Anã e Azul, na área conhecida como Parque das Baleias, no litoral sul do Estado. Descoberta do campo de Golfinho, que apresenta reserva de óleo leve em águas profundas.
2004 Chegada da P-34 ao Porto de Vitória.
2005 Descoberta do campo terrestre de Inhambu e do campo marítimo de Canapu.
2006 Inauguração de empreendimentos da área de óleo (Estação de Fazenda Alegre e Terminal Norte Capixaba) e de gás natural (Plataforma de Peroá e Unidade de Tratamento de Gás de Cacimbas). Início da produção do campo de Golfinho, em maio, e do campo de Jubarte, com a P-34, em dezembro. A produção atinge o recorde de 100 mil barris em junho.
Declarada a comercialidade dos campos de Saíra, Seriema e Tabuiaiá (em terra), Carapó, Camarupim, Mangangá, Pirambu, Caxaréu e Catuá, além do aumento dos ring-fences dos campos de Golfinho, Canapu e Baleia Azul (no mar). Março - Anunciada descoberta de óleo leve pré-sal no campo de Caxaréu (poço 4-ESS-172-ES).
Abril - Iniciado teste com o primeiro sistema de bombeio centrífugo submerso submarino (BCSS) em furo alojador fora do poço no campo de Jubarte, uma das inovações tecnológicas da P-34.
Maio - Iniciadas as obras de construção da Sede de Unidades da Petrobras em Vitória. Anunciada descoberta de gás durante a perfuração do poço 6-ESS-168, no bloco BM-ES-5, ao norte do campo de Camarupim, confirmando o potencial do Estado para a produção de gás natural.
Junho - P-34 atinge sua capacidade de processamento (60 mil barris) com a entrada do sistema de elevação artificial com gás (gas lift), levando a produção do Espírito Santo para o recorde de 141.753 barris em 15/5.

Gás Natural

Com a descoberta de novos campos petrolíferos, com gás associado, a produção capixaba passará de 1,3 milhão para 18 milhões de metros cúbicos, em 2008, e atingirá a marca de 20 milhões de metros cúbicos por dia, em 2010. A BR Distribuidora é concessionária da rede de gás natural do Espírito Santo e, nos últimos 14 anos, instalou 113 quilômetros de rede para fornecer gás natural às residências, hospitais, postos de combustíveis, indústrias e outras instalações na Região Metropolitana de Vitória.

Gasodutos

Com o intuito de elevar a oferta de gás natural no País, a Petrobras iniciou o projeto do Gasoduto Sudeste Nordeste (Gasene), de 1,4 mil quilômetros de extensão e capacidade de transporte de 20 milhões de metros cúbicos diários de gás natural. O investimento está incluso no Plano de Antecipação da Produção de Gàs (Plangás).
No Espírito Santo, o Gasene passará por 17 municípios, de Presidente Kennedy, no Sul, até Pedro Canário, no Norte do Estado. O projeto ligará Cabiúnas (Rio de Janeiro) a Catu (Bahia), sendo dividido em trechos diferentes: Cabiúnas-Vitória, com 300 quilômetros de extensão; Vitória-Cacimbas (Linhares), com 131 quilômetros; e Cacimbas-Catu, com 940 quilômetros. A previsão é de que o Gasene seja totalmente concluído em 2009.
Dos três trechos, o Vitória-Cacimbas está em fase de conclusão, sendo prevista sua entrada em operação no terceiro trimestre de 2007. O duto ligará o terminal instalado no município da Serra, na Região Metropolitana da Grande Vitória, até a Unidade de Tratamento de Gás Natural de Cacimbas, situada em Linhares, passando pelas cidades de Fundão e Aracruz. Já o trecho Cabiúnas-Vitória deve ser concluído até o final de 2007. Em território fluminense, o gasoduto passará pelos municípios de Macaé, Carapebus, Quissamã, Campos dos Goytacazes e São Francisco de Itapaboana. Já no Espírito Santo, as cidades serão Presidente Kennedy, Itapemirim, Piúma, Anchieta, Guarapari, Vila Velha, Viana, Cariacica e Serra. O último e o maior trecho – com 900 quilômetros de extensão – ligará o terminal de Cacimbas à Catu. O início das obras depende apenas da obtenção da Licença de Instalação no IBAMA, e terá um prazo de execução de 25 meses. O duto atravessará cinco municípios do Norte capixaba: Linhares, São Mateus, Conceição da Barra, Pinheiros e Pedro Canário. Fonte: Secretaria de Estado de Desenvolvimento