Os sítios históricos de Muqui, São Mateus, Santa Leopoldina e
São Pedro do Itabapoana também compõem a riqueza
arquitetônica do Estado, sendo alguns dos mais
significativos do país. No Sul do Estado destaca-se o Sítio
Histórico de São Pedro do Itabapoana. A região foi
colonizada por fazendeiros mineiros e fluminenses,
descendentes de portugueses. Seu casario datado do século
XIX, as ruas estreitas, obedecendo à declividade do terreno
com calçamento em pé - de - moleque e antigas fazendas
centenárias se mantém preservadas. Em Muqui, município
vizinho destaca-se o conjunto arquitetônico que concentra o
maior acervo de construções ecléticas do Espírito Santo
enriquecidas por ornamentos, pinturas decorativas, materiais
e técnicas construtivas do final do século XIX e início do
século XX, adquirida por uma classe social que se enriquecia
e buscava o conforto e novidades vindas da Europa. Os
hábitos de influência européia desta aristocracia deixaram
uma herança que caracteriza o município de maneira muito
especial: o rico patrimônio arquitetônico. Em São Mateus, no
norte do Estado, o velho porto fluvial com seu casario
tipicamente colonial, constituiu também conjunto
arquitetônico de grande valor histórico cujo apogeu
sócio-econômico deu-as no final do Império e começo da
República. Foi durante o século XIX com o aparecimento de
grandes fazendeiros como barão de Timbuí e Aimorés, o Porto
viveu sua fase áurea, com o surgimento de belos sobrados e
casas comerciais - com suas coberturas em telhas tipo canal
e gradios de ferro importados da Europa, impulsionadas pelo
intenso movimento de barcos, representavam o poderio
econômico do Porto.
Na região central do Estado localiza-se o Sítio Histórico de
Santa Leopoldina que possui 38 imóveis; a maioria
localizados na sede do município: são residências
construídas pelos ricos comerciantes da região, descendentes
de imigrantes alemães, austríacos, luxemburgueses, belgas e
suíços datadas do final do século XIX e início do século XX.
No interior, o Sítio Histórico completa-se com a existência
de sedes e armazéns de fazendas e de uma igreja localizada
no Distrito do Tirol. Algumas comunidades deste município
possuem denominações que homenageiam países e regiões da
Europa como Suíça, Tirol, Holanda, e Luxemburgo. E outras
guardam, como o município vizinho de Santa Maria de Jetibá,
e, o de Vila Pavão, o dialeto Pomerano dividindo com o
português a comunicação entre as pessoas. A religião
Luterana também é outra importante herança cultural. No
município de Domingos Martins o templo luterano está
localizado na principal praça da cidade. É o primeiro
templo protestante construído no Brasil. Ainda há o
tradicional casamento pomerano que tem noiva vestida de
preto cuja cerimônia pode durar até três dias.
Como bem já nos registraram os nossos mestres Luiz Guilherme
Santos Neves, Léa Brígida de Alvarenga Rosa e Renato Pacheco
"graças aos colonos europeus e aos seus descendentes,
numerosas povoações e cidades surgiram no interior do
Espírito Santo. Muitas regiões, onde eles se localizam,
acabaram se tornando municípios do nosso Estado. Além disso,
os europeus, sobretudo os italianos que vieram em grande
número, tiveram notável influência com suas famílias
numerosas na formação do povo capixaba".
Texto: Luciano Ventorim - Historiador